UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO TOCANTINS/CAMETÁ – CUNTINS
FACULDADE DE LINGUAGEM – FACLING
III JORNADA DO CURSO DE LETRAS DO CAMPUS DA UFPA EM CAMETÁ
&
III FEIRA DO LIVRO NA AMAZÔNIA CAMETAENSE
inscrições abertas: jornadadeletrascameta@gmail.com ou jornadadeletrascameta.blogspot.com
TEMA
LÍNGUA, LITERATURA E OUTRAS LINGUAGENS: SUJEITOS, OBJETOS E ENSINO NA AMAZÔNIA
Cametá – Pará
2010
1. IDENTIFICAÇÃO
1.1 EVENTO: III JORNADA DO CURSO DE LETRAS DO CAMPUS DA UFPA EM CAMETÁ & III FEIRA DO LIVRO NA AMAZÔNIA CAMETAENSE
TEMA: LÍNGUA, LITERATURA E OUTRAS LINGUAGENS: SUJEITOS, OBJETOS E ENSINO NA AMAZÔNIA
1.2 TIPO DE EVENTO: NACIONAL
1.3 INSTITUIÇÃO ORGANIZADORA: UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO TOCATINS/CAMETÁ – FACULDADE DE LINGUAGEM
1.4 COORDENADORES:
1.4.1 DORIEDSON DO SOCORRO RODRIGUES. Graduado em Educação Física pela Universidade do Estado do Pará (1992) e em Letras – Hab. Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará (1999), Especialista em Língua Falada e Ensino do Português (2001)- PUCMG, Mestre em Letras pela Universidade Federal do Pará (2005). Professor assistente II da Universidade Federal do Pará. Tem experiência na área de Lingüística, com ênfase em Variação e Política Lingüística, atuando principalmente nos seguintes temas: plurilingüismo, sociolingüística (interacional e variacionista), atitudes lingüísticas, dialetologia, ensino-aprendizagem do português. No que se refere à temática “Trabalho e Educação”, vem discutindo questões de classe e consciência de classe, trabalho como princípio educativo, saberes sociais no interior de atividades produtivas de pescadores artesanais. A partir de 2006, vem discutindo questões de linguagem e educação do trabalhador do campo na Amazônia, com ênfase na profissionalização e desenvolvimento regional, no interior do Projeto de Pesquisa “A Educação do Trabalhador do Campo na Amazônia”, coordenado pelo Dr. Gilmar Pereira da Silva - UFPA. É membro pesquisador do Projeto Vozes da Amazônia: corpus oral e fala espontânea, Resolução 037/2001 - CLA/UFPA, coordenado pela Dr. Regina Célia Fernandes Cruz (UFPA), e do Projeto Nacional Descrição Sócio-Histórica das Vogais do Português do Brasil, coordenado pelo Dr. Shwan Lee (UFMG). Desde 2009 integra o Projeto de Pesquisa “EXPERIÊNCIAS DE ENSINO INTEGRADO NO ESTADO DO PARÁ”, coordenado pelo Dr. Ronaldo Marcos de Lima Araujo, responsável pelo Grupo de Pesquisas em Trabalho e Educação (GEPTE) da UFPA. Doutorando do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Ciências da Educação da UFPA.
• Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/1127076028303549
1.4.2 IVONE DOS SANTOS VELOSO. Graduada em Letras - Habilitação em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará. Especialista em Ensino de Língua Portuguesa sob uma abordagem textual (UFPA), Mestra em Estudos Literários pela Universidade Federal do Pará (2007). Atualmente é professora assistente da Universidade Federal do Pará e DIretora da Faculdade de Linguagem/ UFPA/CUNTINS, atuando no ensino de Graduação e de Pós-graduação latu senso, bem como na pesquisa e na extensão universitária. Coordena o Projeto Fortalecer/Experimento com textos de jornais e revistas. Participa de Grupo de Pesquisa em Estudos de Narrativa na Amazônia e Grupo de Pesquisa em Construções identitárias na Amazônia. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira e Amazônica, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura, prática de ensino, cultura, história e identidade.
• Endereço para acessar este CV:
http://lattes.cnpq.br/2681994269606031
1.5 PERÍODO DE REALIZAÇÃO DO EVENTO: 28, 29 e 30 de JUNHO DE 2010.
1.6 LOCAL DO EVENTO: CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO TOCATINS/CAMETÁ.
1.7 PÚBLICO-ALVO: PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA, ESTUDANTES DE LETRAS, EDUCADORES DE MOVIMENTOS SOCIAIS E DEMAIS ESTUDANTES VOLTADOS PARA DISCUTIR a temática LÍNGUA, LITERATURA E OUTRAS LINGUAGENS: SUJEITOS, OBJETOS E ENSINO NA AMAZÔNIA.
2 RESUMO
A III Jornada do Curso de Letras do Campus Universitário do Tocantins/Cametá e a III Feira do Livro constitui-se em evento anual promovido pela Faculdade de Linguagem do referido Campus, objetivando promover intercâmbio entre universidade e sociedade que a permeia, no tocante a questões relacionadas à língua, literatura e outras linguagens. Previsto para os dias 28, 29 e 30 de junho de 2010, em termos de público espera-se no evento mais de 200 participantes, envolvendo docentes da educação básica, discentes de letras e educadores ligados a movimentos sociais, a fim de se problematizar a temática LÍNGUA, LITERATURA E OUTRAS LINGUAGENS: SUJEITOS, OBJETOS E ENSINO NA AMAZÔNIA. O evento será consubstanciado por conferências, palestras, mesas-redondas, mini-cursos, comunicações orais, momentos culturais, lançamento de livros, sessão de painéis. Como resultado dos debates e produções desenvolvidas durante o evento pretende-se lançar os ANAIS DA JORNADA, publicizando ainda mais o que produz no interior da universidade. Em termos operacionais, o evento envolverá os docentes da Faculdade de Linguagem, bem como discentes e a coordenação do Campus de Cametá. Conferencistas, além de outros participantes, estão previstos também de outros estados, dando cunho nacional ao evento em apreço, o que significa também abertura para que participantes de outras regiões do estado e do país se façam presentes. A Jornada em apreço pretende atuar como um amálgama entre o que se produz em termos de conhecimento e o que a sociedade vem produzindo em termos de saberes experienciais no ensino-aprendizagem de língua, atentando-se para questões de letramento nos municípios que circundam a sede do Campus da UFPA em Cametá, bem como para processos de leitura em que estão envolvidos os sujeitos escolares ou não. Realizado no Campus de Cametá, o evento disporá de três auditórios climatizados (um para 250 lugares, outro para 200 e um terceiro para 60 pessoas), 10 salas de aula, equipamentos de projeção, áudio e vídeo, bem como sala de multimeios.
3 INTRODUÇÃO
O Curso de Letras do Campus Universitário do Tocantins/Cametá nasceu com o Projeto de Interiorização da UFPA. Desde a segunda metade da década de oitenta do século passado vem formando licenciados plenos para o exercício do magistério no ensino-aprendizagem de língua no interior da Amazônia Paraense, como os municípios de Mocajuba, Baião, Oeiras do Pará, Limoeiro do Ajuru, Igarapé-Miri, dentre outros.
E durante esses mais de 20 anos o Curso mudou consideravelmente, objetivando cada vez mais atender às demandas peculiares de quem vive a formação humana num contexto de rios, dialetos, identidades, perspectivas históricas que constituem o homem e a mulher como sujeitos da Amazônia. Para tanto, houve, por exemplo, reformulação do Projeto Político Pedagógico do Curso, bem como avanço no sentido de se lançar mais uma habilitação, além da habilitação em Língua Portuguesa. Tratou-se, por conseguinte, do Curso de Letras em Língua Inglesa. Mas também sentiu-se necessidade de se continuar atuando junto aos egressos do curso, estabelecendo uma interface entre os discentes que vivem atualmente a dinâmica do curso e aqueles que agora militam em sala de aula, quer no sistema municipal, estadual ou particular de ensino.
Foi nessa perspectiva, principalmente a partir do aumento de seu corpo docente, via projeto REUNI/MEC, que a Faculdade de Linguagem passou a desenvolver, anualmente, sua Jornada, bem como sua Feira do Livro. Tratou-se de se estabelecer, portanto, a unidade que personifica uma Universidade, articulando ensino-pesquisa-extensão, principalmente quando se atenta para o fato de que nessas jornadas promovem-se debates sobre o ensino-aprendizagem de língua, discutindo-se metodologias, estratégias de ensino, procedimentos didáticos. Os eventos vêm constituindo-se, pois, em grandes momentos para uma interação entre o cotidiano das salas de aula da região e o que se produz na Universidade.
Na I Jornada do Curso de Letras, realizada em 2008, mais de 200 pessoas participaram do evento, entre docentes da Educação Básica, estudantes de Graduação, além de representantes de movimentos sociais. Muito mais que discussões acadêmicas, o evento consubstanciou-se em momento para debates sobre a própria política de ensino-aprendizagem que norteia processos de formação no interior tanto dos movimentos sociais como dos sistemas oficiais de ensino. Debates, conferências, palestras, mesas-redondas, mini-cursos, painéis, comunicações, momentos culturais deram a tônica do evento, o mesmo ocorrendo em 2009, com a II Jornada do Curso de Letras do Campus Universitário do Tocantins/Cametá.
A Jornada, portanto, atua como um amálgama entre o que se produz em termos de conhecimento e o que a sociedade vem produzindo em termos de saberes experienciais no ensino-aprendizagem de língua, atentando-se para questões de letramento nos municípios que circundam a sede do Campus da UFPA em Cametá, bem como para processos de leitura em que estão envolvidos os sujeitos escolares ou não. É nessa perspectiva que se almeja a III Jornada do Curso de Letras do Campus de Cametá e III Feira do Livro, desta feita com o tema “LÍNGUA, LITERATURA E OUTRAS LINGUAGENS: SUJEITOS, OBJETOS E ENSINO NA AMAZÔNIA”.
4 OBJETIVOS
Pesquisas sobre aspectos lingüísticos e literários na Microrregião Tocantina, onde se encontra o Campus de Cametá, vêm sendo desenvolvidas ao longo dos anos, quer em forma de TCCs, projetos de pesquisas, bem como resultantes de dissertações de mestrado e teses de doutorado, apontando sérios problemas na constituição da escola destinada a filhos de trabalhadores da Amazônia Tocantina. Trata-se de uma escola que não reconhece as identidades lingüístico-literárias dos sujeitos que a constituem, porque voltada para valores ditos burgueses. Em oposição a essa escola, os trabalhadores buscam outras formas de escolarização. É Nessa perspectiva, então, que se objetiva a realização da III Jornada do Curso de Letras do Campus de Cametá e III Feira do Livro, no sentido de se:
- Promover intercâmbio entre os sujeitos que militam no Ensino-Aprendizagem de Língua no interior da Amazônia Tocantina e os que se encontram no interior da Academia, objetivando responder às demandas tanto de formação continuada como inicial;
- Discutir procedimentos didáticos de ensino-aprendizagem de língua, literatura e outras linguagens, considerando-se os sujeitos e os objetos de ensino que permeiam o universo amazônico, contexto da microrregião Cametá (Mocajuba, Oeiras do Pará, Limoeiro do Ajuru, Baião, Cametá, Igarapé-Miri);
- Contribuir para discussões sobre processos de letramento no interior da Amazônia, considerando-se a dinâmica histórico-social que permeia a vida tanto de aprendizes da educação básica, como de docentes e de setores ligados á educação popular, como igrejas, sindicatos e demais movimentos sociais;
- Refletir estratégias de ensino de leitura e escrita no contexto amazônico, atentando-se para a relação local e universal na constituição do sujeito escolar;
- Favorecer a socialização de experiências de pesquisa, ensino e extensão no tocante ao ensino-aprendizagem de língua, literatura e outras linguagens, como o cinema, música e dança, promovendo-se reflexões sobre dinâmicas outras para o processo de ensino-aprendizagem de leitura, escrita, fala e escuta no interior do universo escolar.
5 JUSTIFICATIVA
No interior da Amazônia Tocantina (compreendendo os municípios de Cametá, Oeiras do Pará, Limoeiro do Ajuru, Baião, Mocajuba), como estabelecer intercâmbio acadêmico-cientítico-cultural entre universidade e a sociedade que a envolve? E ainda, por que se realizar tal procedimento? A tais indagações, algumas respostas contribuem para mostrar a relevância de um evento como a III Jornada do Curso de Letras do Campus de Cametá e a III Feira do Livro.
Comecemos pela segunda indagação. A realização de eventos como os desta natureza contribuem para dinamizar a formação acadêmica daqueles que irão ou já militam no ensino-aprendizagem de língua, literatura e outras linguagens. Ora, a formação acadêmica demandada pelas próprias condições materiais do universo escolar, com sujeitos com diferentes experiências de letramento, oriundos de diversas frações da classe trabalhadora, em especial, exige que a universidade mantenha uma relação dialética com os sujeitos para os quais deve sua existência. Já não cabe, portanto, uma formação acadêmica em que os discentes discutem a realidade como que abstraindo-a das condições materiais em que são produzidas. Há necessidade, pois, de se promover movimentos em que sociedade e academia dialoguem, objetivando ouvir demandas, socializar experiências, tanto de um lado como de outro.
Além disso, eventos como a III Jornada do Curso de Letras e III Feira do Livro tornam-se momentos importantíssimos para que egressos do Curso de Letras e demais profissionais da educação, como pedagogos, historiadores, procedam interação no sentido de intercambiar experiências, problematizar o próprio fazer de quem desenvolve ações sobre a língua, quer em sua manifestação escrita como falada, a fim de se promover com qualidade a própria produção do conhecimento científico das universidades, porque mergulhado no cotidiano da sociedade, no fazer daqueles que elaboram aulas, alfabetizam, desenvolvem ações de letramento.
Acrescente-se ainda que a universidade não deve existir independente da sociedade, do contrário corre-se o risco de tornar-se uma abstração para aqueles que labutam diariamente entre rios, igarapés da Amazônia. É preciso que a mesma esteja atendendo às demandas, no tocante ao ensino-aprendizagem de língua, de homens e mulheres marginalizados pelo dialeto, pela escrita, pela leitura, no sentido de também contribuir para a emancipação humana. E eventos como o aqui descrito cumpre esse papel, à medida que funciona como momento de debates, de socialização de conhecimentos.
Quanto à primeira indagação, serve como projeção bastante enfática para a própria realização da III Jornada do Curso de Letras e III Feira do Livro. Se considerarmos a dificuldade, em termos financeiros, para se participar de ações que promovam processos de formação continuada e inicial, veremos que poucos são os que conseguem ir até a capital do Estado, Belém, para se envolver em eventos acadêmico-científico-culturais. Em primeiro lugar, os que já militam na educação raras vezes dispõem recursos suficientes, considerando-se os baixos salários que recebem, para dispor-se a ir até os eventos que se realizam nos grandes centros urbanos, o mesmo acontecendo com filhos de trabalhadores que adentram, geralmente sem renda fixa, quando possuem, o universo acadêmico. Filhos de pescadores, agricultores, por exemplo, muitos universitários, não raras as vezes, encontram nas atividades de ensino a razão de ser na universidade, não participando de ações extensionistas em outros centros, ou até de pesquisa, por falta de recursos.
Diante de tais situações, a realização de um evento como a III Jornada do Curso de Letras e III Feira do Livro no próprio campus de Cametá é condição importantíssima para o processo de formação dos sujeitos que interagem a partir da universidade no interior da Amazônia. Utilizando-se a célebre citação de que “Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai à Maomé”, passamos a considerar que “Se professores da educação básica e Acadêmicos não têm condições para participar de ações, na capital, que problematizem o ensino-aprendizagem de língua, literatura e outras linguagens por falta de recursos, então a universidade criará condições locais para que esses sujeitos tenham seus processos formação amplamente desenvolvidos onde habitam”. Assim, há somente um gasto, por parte da universidade, contribuindo para que a formação universitária continue gratuita e com qualidade social para inúmeros filhos da Amazônia que nela ingressaram e ingressam na relação cíclica de formação que constituem a existência humana.
Nos dias 28, 29 e 30 de julho de 2010, no Campus Universitário do Tocantins/Cametá, professores da educação básica, estudantes de letras e ligados e processos de alfabetização e letramento, bem como sujeitos que militam na educação junto a movimentos sociais terão oportunidade de participar de um evento voltado para a temática “LÍNGUA, LITERATURA E OUTRAS LINGUAGENS: SUJEITOS, OBJETOS E ENSINO NA AMAZÔNIA”, problematizando questões pertinentes à literatura, a letramento, a objetos de ensino e sujeitos que vivenciam linguagens. Trata-se de evento com forte tendência para propiciar intercâmbio entre universidade e sociedade em que se encontra mergulhada.
Durante três dias, o local e universal estarão convivendo dialeticamente, à medida que pesquisadores de outros estados se farão ouvir, mas também ouvirão os saberes e conhecimentos daqueles que vivem a Amazônia em termos de língua, literatura e outras linguagens. Nesse período, espera-se que o intercâmbio entre pesquisadores, estudantes e sociedade civil seja pautado pelo compromisso com os valores lingüístico-literários dos povos da Amazônia, sem perder de vista a universalidade que permeia tanto os saberes amazônicos como aqueles construídos historicamente por outros sujeitos.
Esperando cerca de 300 participantes, considerando-se a nova estrutura-física do Campus de Cametá (novo auditório, novas salas de aulas (para mini-cursos, comunicações, exposições, etc.), o evento pretende reunir sujeitos que discutam “LÍNGUA, LITERATURA E OUTRAS LINGUAGENS: SUJEITOS, OBJETOS E ENSINO NA AMAZÔNIA”, produzindo conhecimentos voltados para as demandas locais, a ser publicado em forma de ANAIS, como que materializando a tese de “A Universidade produz e mostra”. Além disso, será momento importante para que a comunidade, através de ações culturais, por exemplo, manifeste-se na universidade, promovendo-se a dança e a música de cunho regional, bem como suas experiências quanto ao trato com o universo das linguagens diversas que servem à comunicação de homens e mulheres da Amazônia Tocantina.
6 PROGRAMAÇÃO
6.1 CONVIDADOS
CONVIDADO/A INSTITUIÇÃO AÇÃO
Dr. Seung Hwa Lee UFMG Realizar conferência
Drª Regina Cruz UFPA Participar de Mesa Redonda
Dr. Luiz Heleno Montoril Del Castilho UFPA/ PPML Realizar a conferência
Dr. Salma Ferraz UFSC Ministrar o mini-curso
Dr. Joaquim Nepomuceno Ministrar o mini-curso
Dr. Soellis Mendes UFPA (Marabá) Participar de Mesa redonda
MS. Marcelo Pires UFPA(Belém) Ministrar oficina
MSc Augusto Sarmento UFPA (Abaetetuba) Participar de Mesa Redonda
Dra. Gilcilene Costa UFPA(Altamira) Realizar Conferência
6.2 NÚMERO DE TRABALHOS PREVISTOS A SEREM APRESENTADOS
6.2.1 COMUNICAÇÕES ORAIS: 60
6.2.2 POSTERES: 30
6.2.3 MINI-CURSOS: 05
6.2.4 OFICINAS: 04
6.3 NÚMERO DE PARTICIPANTES ESPERADOS: 250
6.4 NÚMERO DE CONFERÊNCIAS: 3
6.5 NÚMERO DE MESAS REDONDAS: 2
• SEGUNDA-FEIRA – 28 DE JUNHO DE 2010
Credenciamento – 08h às 12h.
Credenciamento – 14h às 16h.
* 16h- Abertura (Abertura)
Dr. Gilmar Pereira da Silva (UFPA)
Msc. Doriedson Rodrigues (UFPA)
Msc. Ângela Sampaio (UFPA)
Msc. Ivone Veloso (UFPA)
* 17h às 18h30 - Conferência
CONFERÊNCIA: Max Martins: sujeitos e objetos de uma linguagem poética
Conferencista: Prof.Dr. Luiz Heleno Montoril Del Castilho
* 19h- Programação Cultural
Feira do Livro
• TERÇA-FEIRA – 29 DE JUNHO DE 2010
* 8h às 9h30 – Conferência II
CONFERÊNCIA: A variação lingüística e as alternâncias de vogais pretônicas no PB
DR. SEUNG HWE LEE(UFMG)
* 9:30h -10h – Coffe Break.
* 10h às 12h – Comunicações
GT 01: LITERATURA, CULTURA E SOCIEDADE
GT 02: LINGUA, TRABALHO E EDUCAÇÃO
GT 03: PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E ENSINO-APRENDIZAGEM DE LÍNGUA
GT 04: EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS EM LÍNGUA INGLESA
GT 05: LÍNGUA, VARIAÇÃO E ENSINO
GT 06: LINGUAGEM AUDIO-VISUAL, ENSINO E ARTE
* 14h às 18h – mini-cursos e oficinas
MINI-CURSOS
1. TÍTULO: O SAGRADO NA LITERATURA
Dr. Salma Ferraz (UFSC)
2. TÍTULO: LINGUAGEM, TRABALHO E IDEOLOGIA
Msc. Doriedson Rodrigues (UFPA)
3. TÍTULO: LÍNGUA E ENSINO
Dr . Joaquim Nepomuceno
4. TÍTULO: Saberes, práticas nas narrativas orais da Amazônia
Dr. Benedita Celeste Moraes Pinto( UFPA/ FACTHO)
5. TÍTULO: Leitura e escrita na contemporaneidade: por uma pedagogia dos multiletramentos
Prof.Ms. Luis Viana Valente (UFPA)
OFICINAS
1. TÍTULO: TEATRO E LITERATURA
Msc. Ângela Vasconcelos e Prof. Hélio Vasconcelos (UFPA)
2. TÍTULO: TECNOLOGIA E LINGUAGEM – VARBRUL
MS. Marcelo Pires (UFPA)
3. TÍTULO: RELAÇOES ENTRE LITERATURA E HISTÓRIA
Msc Francivaldo Nunes(UFPA/FACTHO)
4. TÍTULO: INGLÊS PARA INICIANTES: TÉCNICAS DE LEITURA
Msc. Ana Lilia Rocha (UFPA)
* 18h – Conferência: LÍNGUA, LITERATURA E OUTRAS LINGUAGENS: SUJEITOS, OBJETOS E ENSINO NA AMAZÔNIA
MESA REDONDA: Profª Drª Regina Célia Fernandes Cruz, Dr. Soellis Mendes e Prof. Augusto Sarmiento
* 19 h– Programação Cultural
• QUARTA-FEIRA – 30 DE JUNHO DE 2010
* 8h às 9h30 – MESA-REDONDA
TEMA: O curso de Letras e o PARFOR: sujeitos e objetos de ensino
MSc. Joaquim Maia de Lima (Coordenador do Curso de Letras/PARFOR/UFPA)
Msc. Ivone dos Santos Veloso (]Diretora da FACLING/Professora do PARFOR/UFPA/Cametá)
Dr. Márcio Nascimento (Coordenador Geral do PARFOR/UFPA)
Discente/Professor do PARFOR/LETRAS – CAMETÁ – Maria José Pantoja
COORDENADOR: Doriedson do Socorro Rodrigues
* 9h30. – Coffe Break.
* 10h às 12h – Comunicações
GT 01: LITERATURA, CULTURA E SOCIEDADE
GT 02: LINGUA, TRABALHO E EDUCAÇÃO
GT 03: PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E ENSINO-APRENDIZAGEM DE LÍNGUA
GT 04: EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS EM LÍNGUA INGLESA
GT 05: LÍNGUA, VARIAÇÃO E ENSINO
GT 06: LINGUAGEM AUDIO-VISUAL, ENSINO E ARTE
* 10h às 12h – Pôsteres
GT 01: LITERATURA, CULTURA E SOCIEDADE
GT 02: LINGUA, TRABALHO E EDUCAÇÃO
GT 03: PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E ENSINO-APRENDIZAGEM DE LÍNGUA
GT 04: EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS EM LÍNGUA INGLESA
GT 05: LÍNGUA, VARIAÇÃO E ENSINO
GT 06: LINGUAGEM AUDIO-VISUAL, ENSINO E ARTE
* 14h às 18h – mini-cursos e oficinas
MINI-CURSOS
1.TÍTULO: O SAGRADO NA LITERATURA
Dr. Salma Ferraz (UFSC)
2.TÍTULO: LINGUAGEM, TRABALHO E IDEOLOGIA
Msc. Doriedson Rodrigues (UFPA)
3.TÍTULO: LÍNGUA E ENSINO
Dr. Joaquim Nepomuceno ( UNAMA)
4.TÍTULO:
Dr. Benedita Celeste Moraes Pinto (UFPA/FACTHO)
5.TÍTULO:Leitura e escrita na contemporaneidade: por uma pedagogia dos multiletramentos
Prof. Ms. Luis Viana Valente
OFICINAS
5. TÍTULO: TEATRO E LITERATURA
Msc. Ângela Vasconcelos e Prof. Hélio Vasconcelos (UFPA)
TÍTULO: TECNOLOGIA E LINGUAGEM – VARBRUL
MS. Marcelo Pires (UFPA)
6. TÍTULO: RELAÇOES ENTRE LITERATURA E HISTÓRIA
Msc Francivaldo Nunes(UFPA/FACTHO)
7. TÍTULO: INGLÊS PARA INICIANTES: TÉCNICAS DE LEITURA
Msc. Ana Lilia Rocha (UFPA)
* 18 às 19h- MESA REDONDA
TEMA: Texto, Leitura e construção de subjetividade
Ministrante: Profª Dra. Gilcilene Costa (UFPA/ALTAMIRA)
* 19h Certificação e Lançamento de Livros
7 RESULTADOS ESPERADOS
Em termos de resultado, espera-se:
• Publicizar, em forma de ANAIS DA JORNADA, os artigos decorrentes de comunicações orais, bem como de pôsteres, conferências, mesas redondas e palestras, além de sinopses dos mini-cursos e oficinas.
• Possibilitar a participação de 250 pessoas, envolvendo discentes de letras, profissionais da educação, docentes da Faculdade de Linguagem, sujeitos ligados a movimentos sociais, discentes do PARFOR/LETRAS.
• Promover o intercâmbio da produção do Curso de Letras com pesquisadores de outras instituições do país, bem como com a comunidade local, a partir, principalmente, dos egressos do referido curso que estejam no exercício de sala de aula.
8 ORÇAMENTO
ITEM QUANTIDADE VALOR R$
Passagens (BELO HORIZONTE-BELÉM-BELO HORIZONTE) 1 2.000,00
Passagens (MARABÁ-BELÉM-MARABÁ) 1 400,00
Passagens (ALTAMIRA-BELÉM-ALTAMIRA) 1 1.500,00
Passagens (BELÉM/CAMETÁ/BELÉM) 30 1.860,00
Passagens (ABAETETUBA/CAMETÁ/ABAETETUBA) 1 62,00
Passagens (SANTA CATARINA/BELÉM/SANTA CATARINA) 1 2.500,00
Diárias 30 5.100,00
Publicação de Anais 1 2.000,00
Impressão de Material para Divulgação do Evento - 1.110,00
Coffe-break Estimado para 300 pessoas 1.250,00
VALOR 17.782,00
8.1 CONTRAPARTIDA DA FACULDADE DO CAMPUS DE CAMETÁ
8.1.1 Serviço de Reprografia
8.1.2 Três Auditórios
8.1.3 10 Salas de aulas
8.1.4 Equipamentos de vídeo, som, projeção, computadores
terça-feira, 18 de maio de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
I SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CURSO DE LETRAS DO CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO TOCANTINS (I SEPEL)
I SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CURSO DE LETRAS DO CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO TOCANTINS (I SEPEL)
Pesquisas e perspectivas de estudo de Línguas e Literaturas na Amazônia
11 de junho de 2010
Campus Universitário do Tocantins/Cametá
Público Alvo
Discentes do Curso de Letras
Realização
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO TOCANTINS
FACULDADE DE LINGUAGEM
Coordenação da Faculdade de Linguagem
Profª IVONE VELOSO
Coordenação geral do evento
PROFº LUÍS DE NAZARÉ VIANA VALENTE
Cametá/Pará
Junho de 2010
Apresentação
O I SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CURSO DE LETRAS DO CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO TOCANTINS (I SEPEL): Pesquisas e perspectivas de estudo de línguas e literaturas na Amazônia, configura-se como uma postura estratégica do curso de Letras e da Faculdade de Linguagem do Campus Universitário do Tocantins, no incentivo e fortalecimento das práticas de pesquisa na área. Trata-se, antes de tudo, de publicizar e valorizar pesquisas em andamento do corpo docente do curso, além de contribuir para que os discentes em formação, principalmente aqueles em fase final do curso, tenham a possibilidade de escolher um campo de pesquisa para sua atuação enquanto pesquisador, quando da elaboração de seu Trabalho de Conclusão Curso.
Objetivos
• Fortalecer as práticas de pesquisa no Curso de Letras;
• Possibilitar a apresentação e discussão das pesquisas desenvolvidas pelos professores do campus, cujo ponto central seja a linguagem, tanto do ponto de vista teórico e epistemológico, como aplicado;
• Oportunizar aos alunos o conhecimento e o debate sobre as áreas de atuação e os focos de pesquisados dos professores do campus;
• Garantir um leque de possibilidades para os discentes ingressarem na pesquisa, principalmente, mas não somente, quando da elaboração do trabalho de conclusão de curso.
Perspectiva Teórica
A perspectiva teórica assumida pelo curso de Letras no que diz respeito ao tratamento da linguagem é aquela que considera a língua para além da tendência meramente representacionista. Trata-se de comprendê-la em seu aspecto discursivo e enunciativo (BAKHTIN, 1996 [1979]), cuja peculiaridade não está apenas no aspecto estrutural e estático da língua, mas na construção e co-construção de significados localmente produzidos (STREET, 1991), capazes de desmistificar as diversas formas de poder aí cristalizadas (ROJO, 2009).
Assim, a descrição e o acesso as variadas formas lingüísticas e culturais por meio das quais a ideologia dominante circula e se manifesta, campo atualmente alçado pela perspectiva do letramento crítico e multissemiótico (CERVETTI, PARDALES e DAMICO, 2001, s/p), passa a ser uma das maiores contribuições do curso para a comunidade.
Além disso, vale ressaltar, a postura política das práticas de pesquisas, ensino e extensão que o curso de Letras representa para a região, principalmente quando se prima pelo desenvolvimento humano dos sujeitos, pois como ensina Jean Paul Bronckart:
Na perspectiva vygotskiana, a ciência integrada do humano deveria ter como objetivo último tratar (ou até resolver) os problemas que se colocam concretamente na vida das “gentes”: recusamos toda distinção entre “pesquisa fundamental” e “pesquisa aplicada”; além disso, consideramos que as situações práticas constituem um dos lugares maiores de validação das proposições teóricas (...) pensamos que todo projeto da ciência do humano comporta necessariamente uma dimensão política, e conduz, portanto, a engajar-se sobre terrenos práticos, em vista de uma melhoria das situações, cujo teor é evidente e democraticamente “discutível”. (BRONCKART, 2006)
Participantes
Prof. Dr Gilmar Pereira da Silva
Profº. Doutorando Doriedson Rodrigues
Profª Msc Ivone dos Santos Veloso
Profª MSc Ângela Maria Vasconcelos Sampaio
Prof Ms Luís de Nazaré Viana Valente
Profª MSc Raquel Maria da Silva Costa
Profª MSc Helane de Fátima Fernandes Melo
Profª MSc Maria Lucilena Gonzaga Costa Tavares
Profº MSc Jorge Domingues Lopes
Profª MSc Benedita Maria do Socorro Campos de Sousa
Profª MSc Dante Luiz de Lima
Profª Maria Luiza Rodrigues Faleiros Lima
Profª MSc Ana Lília Carvalho Rocha
Orçamento e recursos
Programação
Referências
BAKHTIN, M. M./VOLOCHÍNOV, V. N. [1929] Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1981.
CERVETTI, G.; PARDALES, M. J.; DAMICO, J. S. A tale of differences: Comparing the traditions, perspectives, and educational goals of critical reading and critical literacy. Reading Online, 4(9), Abril de 2001. Disponível em: http://www.readingonline.org/articles/art_index.asp?HREF=/articles/cervetti/index.html.
COPE, B.; KALANTZIS, M. Designs for social futures. In: B. COPE; M. KALANTZIS (Orgs). Multiliteracies – Literacy Learning and the design of social futures. New York: Routledge, 2006[2000]. Pp. 203-234.
ROJO, Roxane. Letramento e capacidades de leitura para a cidadania. [2009] Mimeo (circulação restrita).
STREET, B. What’s “new” in new literacy studies? Critical approaches to literacy in theory and practice. Current Issues in Comparative Education, v. 5, n. 2, p. 77-91, 2003.
Pesquisas e perspectivas de estudo de Línguas e Literaturas na Amazônia
11 de junho de 2010
Campus Universitário do Tocantins/Cametá
Público Alvo
Discentes do Curso de Letras
Realização
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO TOCANTINS
FACULDADE DE LINGUAGEM
Coordenação da Faculdade de Linguagem
Profª IVONE VELOSO
Coordenação geral do evento
PROFº LUÍS DE NAZARÉ VIANA VALENTE
Cametá/Pará
Junho de 2010
Apresentação
O I SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CURSO DE LETRAS DO CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO TOCANTINS (I SEPEL): Pesquisas e perspectivas de estudo de línguas e literaturas na Amazônia, configura-se como uma postura estratégica do curso de Letras e da Faculdade de Linguagem do Campus Universitário do Tocantins, no incentivo e fortalecimento das práticas de pesquisa na área. Trata-se, antes de tudo, de publicizar e valorizar pesquisas em andamento do corpo docente do curso, além de contribuir para que os discentes em formação, principalmente aqueles em fase final do curso, tenham a possibilidade de escolher um campo de pesquisa para sua atuação enquanto pesquisador, quando da elaboração de seu Trabalho de Conclusão Curso.
Objetivos
• Fortalecer as práticas de pesquisa no Curso de Letras;
• Possibilitar a apresentação e discussão das pesquisas desenvolvidas pelos professores do campus, cujo ponto central seja a linguagem, tanto do ponto de vista teórico e epistemológico, como aplicado;
• Oportunizar aos alunos o conhecimento e o debate sobre as áreas de atuação e os focos de pesquisados dos professores do campus;
• Garantir um leque de possibilidades para os discentes ingressarem na pesquisa, principalmente, mas não somente, quando da elaboração do trabalho de conclusão de curso.
Perspectiva Teórica
A perspectiva teórica assumida pelo curso de Letras no que diz respeito ao tratamento da linguagem é aquela que considera a língua para além da tendência meramente representacionista. Trata-se de comprendê-la em seu aspecto discursivo e enunciativo (BAKHTIN, 1996 [1979]), cuja peculiaridade não está apenas no aspecto estrutural e estático da língua, mas na construção e co-construção de significados localmente produzidos (STREET, 1991), capazes de desmistificar as diversas formas de poder aí cristalizadas (ROJO, 2009).
Assim, a descrição e o acesso as variadas formas lingüísticas e culturais por meio das quais a ideologia dominante circula e se manifesta, campo atualmente alçado pela perspectiva do letramento crítico e multissemiótico (CERVETTI, PARDALES e DAMICO, 2001, s/p), passa a ser uma das maiores contribuições do curso para a comunidade.
Além disso, vale ressaltar, a postura política das práticas de pesquisas, ensino e extensão que o curso de Letras representa para a região, principalmente quando se prima pelo desenvolvimento humano dos sujeitos, pois como ensina Jean Paul Bronckart:
Na perspectiva vygotskiana, a ciência integrada do humano deveria ter como objetivo último tratar (ou até resolver) os problemas que se colocam concretamente na vida das “gentes”: recusamos toda distinção entre “pesquisa fundamental” e “pesquisa aplicada”; além disso, consideramos que as situações práticas constituem um dos lugares maiores de validação das proposições teóricas (...) pensamos que todo projeto da ciência do humano comporta necessariamente uma dimensão política, e conduz, portanto, a engajar-se sobre terrenos práticos, em vista de uma melhoria das situações, cujo teor é evidente e democraticamente “discutível”. (BRONCKART, 2006)
Participantes
Prof. Dr Gilmar Pereira da Silva
Profº. Doutorando Doriedson Rodrigues
Profª Msc Ivone dos Santos Veloso
Profª MSc Ângela Maria Vasconcelos Sampaio
Prof Ms Luís de Nazaré Viana Valente
Profª MSc Raquel Maria da Silva Costa
Profª MSc Helane de Fátima Fernandes Melo
Profª MSc Maria Lucilena Gonzaga Costa Tavares
Profº MSc Jorge Domingues Lopes
Profª MSc Benedita Maria do Socorro Campos de Sousa
Profª MSc Dante Luiz de Lima
Profª Maria Luiza Rodrigues Faleiros Lima
Profª MSc Ana Lília Carvalho Rocha
Orçamento e recursos
Programação
Referências
BAKHTIN, M. M./VOLOCHÍNOV, V. N. [1929] Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1981.
CERVETTI, G.; PARDALES, M. J.; DAMICO, J. S. A tale of differences: Comparing the traditions, perspectives, and educational goals of critical reading and critical literacy. Reading Online, 4(9), Abril de 2001. Disponível em: http://www.readingonline.org/articles/art_index.asp?HREF=/articles/cervetti/index.html.
COPE, B.; KALANTZIS, M. Designs for social futures. In: B. COPE; M. KALANTZIS (Orgs). Multiliteracies – Literacy Learning and the design of social futures. New York: Routledge, 2006[2000]. Pp. 203-234.
ROJO, Roxane. Letramento e capacidades de leitura para a cidadania. [2009] Mimeo (circulação restrita).
STREET, B. What’s “new” in new literacy studies? Critical approaches to literacy in theory and practice. Current Issues in Comparative Education, v. 5, n. 2, p. 77-91, 2003.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Cronologia do ensino de Língua Portuguesa no Brasil
Cronologia do ensino de
Língua Portuguesa no Brasil
1759
A Reforma Pombalina torna obrigatório no Brasil o ensino de Língua Portuguesa nas escolas. A intenção é transmitir o conhecimento da norma culta da língua materna aos filhos das classes mais abastadas.
1800
A linguagem é vista como uma expressão do pensamento e a capacidade de escrever é consequência do pensar. Na escola, os textos literários são valorizados, e os regionalismos, ignorados.
1850
A maneira unânime de ensinar a ler é o método sintético. As letras, as sílabas e o valor sonoro das letras servem de ponto de partida para o entendimento das palavras.
1860
Desde os primeiros registros sobre o ensino da língua, a escrita é vista independentemente da leitura e como uma habilidade motora, que demanda treino e cópia do formato da letra por parte do aprendiz.
1876
O poeta João de Deus (1830-1896) lança a Cartilha Maternal. Defende a palavração, modelo que mostra que o aprendizado deve se basear na análise de palavras inteiras. É um dos marcos de criação do método analítico.
1911
O método analítico se torna obrigatório no ensino da alfabetização no estado de São Paulo. A regra é válida até 1920, quando a Reforma Sampaio Dória passa a garantir autonomia didática aos professores.
1920
Inicia-se uma disputa acirrada entre os defensores dos métodos analíticos e sintéticos. Alguns professores passam a mesclar as ideias básicas defendidas até então, dando origem aos métodos mistos.
1930
O termo alfabetização é usado para determinar o processo inicial de aprendizagem de leitura e escrita. Esta passa a ser considerada um instrumento de linguagem e é ensinada junto com a leitura.
1940
As primeiras edições das cartilhas Caminho Suave e Sodré são lançadas nessa década, respeitando a técnica dos métodos mistos, e marcam a aprendizagem de gerações.
1970
A linguagem passa a ser vista como um instrumento de comunicação. O aluno deve respeitar modelos para construir textos e transmitir mensagens. Os gêneros não literários são incorporados às aulas.
1984
Lançamento do livro Psicogênese da Língua Escrita, de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. A concepção de linguagem é modificada nessa década e influencia o ensino até hoje: o foco deveria estar na interação entre as pessoas.
1997
São publicados os PCNs pelo governo federal para todo o Ensino Fundamental, defendendo as práticas sociais (interação) de linguagem no ensino da Língua Portuguesa.
Fontes: Os sentidos da alfabetização, Maria do Rosário Longo Mortatti e PCNS
Este quadro faz parte da reportagem O papel das letras na interação social.
Extraído de: http://revistaescola.abril.com.br/producao-de-texto/cronologia.shtml
Língua Portuguesa no Brasil
1759
A Reforma Pombalina torna obrigatório no Brasil o ensino de Língua Portuguesa nas escolas. A intenção é transmitir o conhecimento da norma culta da língua materna aos filhos das classes mais abastadas.
1800
A linguagem é vista como uma expressão do pensamento e a capacidade de escrever é consequência do pensar. Na escola, os textos literários são valorizados, e os regionalismos, ignorados.
1850
A maneira unânime de ensinar a ler é o método sintético. As letras, as sílabas e o valor sonoro das letras servem de ponto de partida para o entendimento das palavras.
1860
Desde os primeiros registros sobre o ensino da língua, a escrita é vista independentemente da leitura e como uma habilidade motora, que demanda treino e cópia do formato da letra por parte do aprendiz.
1876
O poeta João de Deus (1830-1896) lança a Cartilha Maternal. Defende a palavração, modelo que mostra que o aprendizado deve se basear na análise de palavras inteiras. É um dos marcos de criação do método analítico.
1911
O método analítico se torna obrigatório no ensino da alfabetização no estado de São Paulo. A regra é válida até 1920, quando a Reforma Sampaio Dória passa a garantir autonomia didática aos professores.
1920
Inicia-se uma disputa acirrada entre os defensores dos métodos analíticos e sintéticos. Alguns professores passam a mesclar as ideias básicas defendidas até então, dando origem aos métodos mistos.
1930
O termo alfabetização é usado para determinar o processo inicial de aprendizagem de leitura e escrita. Esta passa a ser considerada um instrumento de linguagem e é ensinada junto com a leitura.
1940
As primeiras edições das cartilhas Caminho Suave e Sodré são lançadas nessa década, respeitando a técnica dos métodos mistos, e marcam a aprendizagem de gerações.
1970
A linguagem passa a ser vista como um instrumento de comunicação. O aluno deve respeitar modelos para construir textos e transmitir mensagens. Os gêneros não literários são incorporados às aulas.
1984
Lançamento do livro Psicogênese da Língua Escrita, de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. A concepção de linguagem é modificada nessa década e influencia o ensino até hoje: o foco deveria estar na interação entre as pessoas.
1997
São publicados os PCNs pelo governo federal para todo o Ensino Fundamental, defendendo as práticas sociais (interação) de linguagem no ensino da Língua Portuguesa.
Fontes: Os sentidos da alfabetização, Maria do Rosário Longo Mortatti e PCNS
Este quadro faz parte da reportagem O papel das letras na interação social.
Extraído de: http://revistaescola.abril.com.br/producao-de-texto/cronologia.shtml
O QUE ENSINAR NA AULA DE PORTUGUÊS
O QUE ENSINAR
1 Concepção de linguagem
Provocação
Você ensina Língua Portuguesa ou Práticas de Linguagem?
Se você estiver alinhado com as atuais concepções de linguagem, deve ensinar os alunos a pôr em prática a linguagem, formando cidadãos leitores e escritores de uma cultura em que a escrita é predominante. Com base nas pesquisas desenvolvidas pelo filósofo russo, Mikhail Bakhtin, essas concepções têm como peças-chave a relação interpessoal, o contexto de produção dos textos, as diferentes situações de comunicação, os gêneros, a intenção de quem o produz e a interpretação de quem o recebe. Portanto, mais do que ensinar os elementos e as normas que compõem a Língua Portuguesa, precisamos ensinar as Práticas de Linguagem que vivenciamos em nossa língua materna. “O desafio é formar praticantes da leitura e da escrita e não apenas sujeitos que possam ‘decifrar’ o sistema de escrita”, resume a educadora argentina, Délia Lerner.
Ler mais em:http://revistaescola.abril.com.br/producao-de-texto/
1 Concepção de linguagem
Provocação
Você ensina Língua Portuguesa ou Práticas de Linguagem?
Se você estiver alinhado com as atuais concepções de linguagem, deve ensinar os alunos a pôr em prática a linguagem, formando cidadãos leitores e escritores de uma cultura em que a escrita é predominante. Com base nas pesquisas desenvolvidas pelo filósofo russo, Mikhail Bakhtin, essas concepções têm como peças-chave a relação interpessoal, o contexto de produção dos textos, as diferentes situações de comunicação, os gêneros, a intenção de quem o produz e a interpretação de quem o recebe. Portanto, mais do que ensinar os elementos e as normas que compõem a Língua Portuguesa, precisamos ensinar as Práticas de Linguagem que vivenciamos em nossa língua materna. “O desafio é formar praticantes da leitura e da escrita e não apenas sujeitos que possam ‘decifrar’ o sistema de escrita”, resume a educadora argentina, Délia Lerner.
Ler mais em:http://revistaescola.abril.com.br/producao-de-texto/
quinta-feira, 25 de março de 2010
QUEM RI DO QUÊ?
QUEM RI DO QUÊ?
Marcos Bagno - Janeiro de 2010
Uma das grandes contribuições da ciência linguística foi provar a existência de traços universais, presentes em todas as línguas humanas. E poderia ser diferente? Afinal, todos os humanos, apesar de diferenças externas, superficiais (cor da pele, formato dos olhos, textura do cabelo), são biologicamente uma única espécie, dotada das mesmas potencialidades cognitivas, já que o cérebro é o mesmo. Por isso, o grande Lévi-Strauss pôde elaborar uma antropologia que identificava o que há de comum, de similar e de universal nas culturas humanas, apesar das aparentes diferenças.
Com isso, aprendemos que as línguas passam pelas mesmas etapas em suas transformações. A mudança linguística é um processo sociocognitivo, isto é, ela se deve a fatores sociais (variação dialetal, contatos entre falantes de línguas diferentes etc.) e a processamentos mentais (analogia, reanálise, metáfora, mentonímia, abdução etc.) e ocorre ininterruptamente. Só que ocorre, em cada língua, com ritmos diferentes.
Para o senso comum, porém, herdeiro de uma visão arcaica e pré-científica de linguagem, surgida no mundo grego no século III a.C., a mudança linguística representa a "corrupção" e a "degradação" da língua, sempre identificada exclusivamente com a língua escrita dos grandes escritores, como se não existisse a língua falada e como se a escrita não se manifestasse também em outros tipos e gêneros textuais.
Essas ideologia preconceituosa impede que as pessoas (inclusive profissionais da linguagem, professores de línguas e, algumas vezes, até linguistas!) percebam fenômenos interessantíssimos que servem (ou deveriam servir) de base para muitas deduções importantes sobre o funcionamento das línguas. A cegueira (e a surdez) linguística se enraizou profundamente na cultura ocidental e os cento e poucos anos de vida de uma verdadeira ciência da linguagem ainda não foram suficientes para abrir as mentes, os ouvidos e os olhos da maioria das pessoas sobre o assunto.
Os brasileiros vão estudar inglês e aprendem que nessa língua a morfologia verbal é simplíssima. No presente, a única forma diferente das outras é a da 3a pessoa do singular, que ganha um -s (he lives), enquanto as outras permanecem idênticas (I, you, we, they live). No passado, tudo fica exatamente igual (I, you, he, she, it, we, you they lived). Ninguém se assusta com isso, ninguém ri disso, e muitos até acham bom que seja assim, porque é mais fácil de aprender do que nas línguas (como o português, o alemão etc.) que têm uma morfologia verbal bem mais diversificada.
Qual é a reação, porém, desses mesmos brasileiros quando topam com algo do tipo eu morava, tu morava, ele morava, nós morava, vocês morava, eles morava? O riso, o deboche ou, no melhor dos casos, a compaixão pelos "infelizes caipiras" que "não sabem falar direito", como se fossem menos inteligentes ou até menos humanos que os demais falantes. Ora, do ponto de vista exclusivamente estrutural, não há nada de melhor em I / you/ he / she / it/ we / you / they lived nem nada de pior em eu / tu / você / ele / ela / nós / a gente / vocês / eles / elas morava... O fenômeno linguístico é o mesmo, a recepção sociocultural do fenômeno - e só ela - é que é diferente. E é aí que a porca torce o rabo!
Texto Publicado extraído de:
http://www.marcosbagno.com.br/conteudo/arquivos/art_carosamigos-jan2010.htm
Marcos Bagno - Janeiro de 2010
Uma das grandes contribuições da ciência linguística foi provar a existência de traços universais, presentes em todas as línguas humanas. E poderia ser diferente? Afinal, todos os humanos, apesar de diferenças externas, superficiais (cor da pele, formato dos olhos, textura do cabelo), são biologicamente uma única espécie, dotada das mesmas potencialidades cognitivas, já que o cérebro é o mesmo. Por isso, o grande Lévi-Strauss pôde elaborar uma antropologia que identificava o que há de comum, de similar e de universal nas culturas humanas, apesar das aparentes diferenças.
Com isso, aprendemos que as línguas passam pelas mesmas etapas em suas transformações. A mudança linguística é um processo sociocognitivo, isto é, ela se deve a fatores sociais (variação dialetal, contatos entre falantes de línguas diferentes etc.) e a processamentos mentais (analogia, reanálise, metáfora, mentonímia, abdução etc.) e ocorre ininterruptamente. Só que ocorre, em cada língua, com ritmos diferentes.
Para o senso comum, porém, herdeiro de uma visão arcaica e pré-científica de linguagem, surgida no mundo grego no século III a.C., a mudança linguística representa a "corrupção" e a "degradação" da língua, sempre identificada exclusivamente com a língua escrita dos grandes escritores, como se não existisse a língua falada e como se a escrita não se manifestasse também em outros tipos e gêneros textuais.
Essas ideologia preconceituosa impede que as pessoas (inclusive profissionais da linguagem, professores de línguas e, algumas vezes, até linguistas!) percebam fenômenos interessantíssimos que servem (ou deveriam servir) de base para muitas deduções importantes sobre o funcionamento das línguas. A cegueira (e a surdez) linguística se enraizou profundamente na cultura ocidental e os cento e poucos anos de vida de uma verdadeira ciência da linguagem ainda não foram suficientes para abrir as mentes, os ouvidos e os olhos da maioria das pessoas sobre o assunto.
Os brasileiros vão estudar inglês e aprendem que nessa língua a morfologia verbal é simplíssima. No presente, a única forma diferente das outras é a da 3a pessoa do singular, que ganha um -s (he lives), enquanto as outras permanecem idênticas (I, you, we, they live). No passado, tudo fica exatamente igual (I, you, he, she, it, we, you they lived). Ninguém se assusta com isso, ninguém ri disso, e muitos até acham bom que seja assim, porque é mais fácil de aprender do que nas línguas (como o português, o alemão etc.) que têm uma morfologia verbal bem mais diversificada.
Qual é a reação, porém, desses mesmos brasileiros quando topam com algo do tipo eu morava, tu morava, ele morava, nós morava, vocês morava, eles morava? O riso, o deboche ou, no melhor dos casos, a compaixão pelos "infelizes caipiras" que "não sabem falar direito", como se fossem menos inteligentes ou até menos humanos que os demais falantes. Ora, do ponto de vista exclusivamente estrutural, não há nada de melhor em I / you/ he / she / it/ we / you / they lived nem nada de pior em eu / tu / você / ele / ela / nós / a gente / vocês / eles / elas morava... O fenômeno linguístico é o mesmo, a recepção sociocultural do fenômeno - e só ela - é que é diferente. E é aí que a porca torce o rabo!
Texto Publicado extraído de:
http://www.marcosbagno.com.br/conteudo/arquivos/art_carosamigos-jan2010.htm
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preconceito linguístico
sexta-feira, 12 de março de 2010
O ensino da comunicação: Bernard Schneuwly diz que os professores precisam de material didático para trabalhar com leitura e escrita
O ensino da comunicação
O psicólogo suíço Bernard Schneuwly diz que os professores precisam de material didático para trabalhar com leitura e escrita
Denise Pellegrini
Bernard Schneuwly. Foto: Rogério Albuquerque

O psicólogo suíço Bernard Schneuwly diz que os professores precisam de material didático para trabalhar com leitura e escrita
Denise Pellegrini
Bernard Schneuwly. Foto: Rogério Albuquerque

Você pode não conhecê-lo pelo nome, mas o trabalho do suíço Bernard Schneuwly, professor da Universidade de Genebra, já deixou de ser novidade há algum tempo, principalmente para quem leciona Língua Portuguesa. Suas idéias sobre gêneros e tipos de discurso e linguagem oral estão nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Desde a década de 1980, o psicólogo de 49 anos, doutor em Ciências da Educação, pesquisa como a criança aprende a escrever. Os estudos resultaram na criação de seqüências didáticas para ensino de expressão escrita e oralidade. Os conceitos presentes nesse material didático se difundem aos poucos no Brasil. Schneuwly vem colaborando com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em trabalhos na área e pesquisadores da instituição estão publicando uma coleção com seqüências didáticas inspiradas no modelo suíço. A seguir, os principais trechos da entrevista que ele concedeu a NOVA ESCOLA.
O que seus estudos propõem de novo no ensino da língua?
O que seus estudos propõem de novo no ensino da língua?
Bernard Schneuwly Colocamos a questão da comunicação no centro do ensino da língua materna. Esta é a mudança mais significativa: dar às crianças mais possibilidades de ler, de escrever textos, de aprender gramática e ortografia em função da comunicação. As aulas de gramática devem ser dadas em função dos textos? Schneuwly É essencial ensinar as crianças a ler e a produzir textos. Quando começam a estudar elas têm de realizar essas tarefas e, de maneira geral, não se dá importância suficiente à questão. Isso não significa deixar de dar também um pouco de gramática à parte. É possível fazer isso analisando sentenças complexas extraídas dos próprios textos. Há ainda uma outra maneira, mais forte na Suíça: pedir que os estudantes escrevam sentenças que depois são usadas para análise e aprendizado. Quanto tempo da aula deve-se dedicar à gramática? Schneuwly Em meu país, e eu sei que aqui acontece o mesmo, cerca de 70% ou 80% do ensino da língua corresponde a gramática e ortografia e apenas 20% ou 30% a leitura e escrita. Temos trabalhado para chegar a um equilíbrio. Além disso, acho que há gramática demais nas séries iniciais e de menos nas finais. Na Suíça, depois do ensino elementar, os estudantes aprendem apenas literatura. Mas há problemas gramaticais complexos que poderiam ser estudados por jovens de 16, 17, 18 anos.
Por que há um peso maior em ortografia e gramática?
Schneuwly Porque é mais fácil dar aulas sobre esses dois temas. Existem livros didáticos e dicionários disponíveis. No entanto, muitos educadores não sabem o que fazer no momento de trabalhar leitura e escrita. Eles precisam de material para isso.
É o trabalho que o senhor vem desenvolvendo na Suíça?
Schneuwly Sim. Em 1990 houve uma demanda oficial do governo para que o grupo de pesquisa do qual faço parte criasse um material que ajudasse a ensinar expressão escrita e oralidade. Ao mesmo tempo os docentes diziam, em congressos, que precisavam lecionar comunicação mas não tinham métodos. O fato de os professores terem pedido mudanças foi muito importante. Era sinal de que eles estavam prontos para adaptar-se. Mais do que se tivesse havido uma imposição.
Como é o material?
Schneuwly São quatro volumes. Um destinado para 1ª e 2ª séries, um para 3ª e 4ª, outro para 5ª e 6ª e o último para 7ª , 8ª e 9ª. Em todos eles há uma apostila que deve ser usada pelo aluno e outra pelo professor, escrita para que ele possa usá-la sem dificuldade, com apenas um dia de treinamento. São cerca de 40 seqüências didáticas para diferentes tipos de texto: científico, ficção científica, histórias de aventuras, crítica literária, entre outros.
A oralidade também é trabalhada?
Schneuwly Sim. As crianças a desenvolvem ao fazer uma entrevista, participar de um debate ou expor um tema para uma platéia, por exemplo.
Recursos como esses conseguem mudar o trabalho do docente? Ou ele precisa de mais formação?
Schneuwly Esse é um problema importante e sua solução deve levar um longo tempo. Há dois pontos envolvidos. Um é a formação inicial. A nova geração tem uma educação melhor e consegue trabalhar da maneira que propomos com mais facilidade. Por outro lado, há a necessidade de formar aqueles que já estão na ativa, que são numerosos. Com o material em mãos, a capacitação pode se dar na teoria e na prática.
Como as seqüências são usadas?
Schneuwly A criança entra em contato com vários gêneros de texto que serão vistos novamente no futuro. Na primeira vez que estuda entrevista, por exemplo, ela está no 4º ano. Nessa fase, conhece técnicas simples e vai entrevistar um funcionário do colégio. Ela prepara o questionário mas aprende que, se formular as questões espontaneamente, conseguirá melhor resultado. Uma folha pode ser levada com a relação de perguntas de um lado e, no verso, palavras-chave. A consulta será feita só se houver problemas. Outra dica é perguntar algo sobre o que o entrevistado acabou de falar, e não apenas emendar uma questão da lista na outra.
Quando esse mesmo tema será visto novamente?
Schneuwly No 8º ano, só que com técnicas mais elaboradas. Nessa fase, os alunos estão estudando os diferentes modos de falar. Por isso, têm que entrevistar estrangeiros que aprendem francês em Genebra, ou especialistas em oralidade, como um padre ou um advogado. Eles vão ouvir, ler, analisar, observar, comparar, fazer, escrever. Vão aprender também como redigir a abertura do artigo, apresentando o entrevistado. Nosso método leva à análise e à produção de um gênero.
O programa se desenvolve em forma de espiral?
Schneuwly Exatamente. O estudante vê determinado gênero uma vez, depois uma segunda e, às vezes, até uma terceira. Debates, por exemplo, são estudados na 3ª, na 6ª e na 9ª séries. A primeira coisa que ele aprende é a ouvir o que está sendo dito. Isso porque é importante usar o que o interlocutor disse, integrando as palavras dele ao seu próprio discurso. Outra coisa: se uma pessoa fala algo que deve ser contestado, isso deve ser feito de maneira não agressiva. São muitas as técnicas. Aprendemos, de maneira natural, os gêneros orais primeiro.
Nas aulas eles devem ser ensinados antes dos escritos?
Schneuwly Eles podem ser vistos ao mesmo tempo. A escola não ensina a falar. E os brasileiros, particularmente, se expressam muito bem. As crianças daqui são fantásticas! O que precisamos é prepará-las para situações formais, como um debate, uma exposição para um grupo. Para nós, pode começar ao mesmo tempo, porque a escrita ajuda a oralidade e vice-versa.
A psicolingüista argentina Emilia Ferreiro defende há mais de 20 anos a utilização de textos variados, principalmente em substituição à cartilha. Há relações entre as idéias defendidas por ela e as suas?
Schneuwly Acho que dizemos a mesma coisa com outro nome. Talvez uma diferença esteja no fato de que nós, quando trabalhamos com um gênero, nos aprofundamos bastante nele. Isso leva uma semana, duas, até quatro. Uma outra possível diferença é que Emilia Ferreiro trabalha apenas com os pequenos e nós, até com os adolescentes. Mas as idéias provavelmente não são contraditórias. O importante é que os gêneros representam textos como são vistos nas situações diárias.
Existe um tipo de texto que só é visto na sala de aula?
Schneuwly Quando você aprende um gênero durante as aulas ele sai da situação social e se transforma num gênero escolar. Uma entrevista feita nessa situação não é a mesma coisa que uma realizada por um profissional. Para nós não há problema nisso, porque acreditamos que a escola é uma instituição social onde as pessoas aprendem. Então, é absolutamente necessário que faça adaptações. Emilia Ferreiro critica as cartilhas por serem textos que não existem fora da classe. Não concordo com ela nesse ponto.
Por quê? Isso não é verdade?
Schneuwly A idéia de Ferreiro é velha porque parece ruim haver diferença entre a vida real e a escola. É claro que não deve haver uma grande diferença. Mas alguma, sim. Na escola há uma situação social real para a aprendizagem. Lá pode-se correr riscos e cometer erros. Um jornal serve para informar as pessoas. Se você o leva para a sala de aula, ele não está lá mais para esse fim, mas para ser aprendido. Queiramos ou não, não é mais o mesmo contexto social.
Quando um professor leva diversos materiais para a sala de aula, está trabalhando com diferentes gêneros de texto?
Schneuwly Não. Gênero é a forma mais ou menos convencional que um texto assume: uma entrevista, uma receita culinária, uma história de aventura. Quando você lê um jornal, por exemplo, há muitos gêneros dentro dele e a criança tem que aprender isso.
Gêneros são conteúdos ou ferramentas de trabalho?
Schneuwly São os dois. É muito fácil explicar isso quando se pega uma receita culinária. Ela é um gênero, tem uma certa forma lingüística, uma estrutura, um vocabulário, mas ao mesmo tempo é, claro, uma ferramenta usada numa situação de comunicação. Transmite a uma pessoa como se prepara uma omelete, por exemplo. Sem essas formas estabelecidas, a comunicação seria muito complicada.
Se você não soubesse como é uma entrevista, como seria nossa comunicação nesse momento? Os estudantes expostos a essa metodologia aprendem mais do que a ler e escrever de maneira adequada?
Schneuwly Com certeza. Por exemplo, quando os ensinamos a escrever uma carta para um jornal sabemos que, provavelmente, eles não terão necessidade de produzir muitos textos desse tipo. Mas, nesse processo, aprenderão também a argumentar. Eles adquirem capacidades, principalmente capacidades gerais de comunicação.
Entrevista com Joaquim Dolz:De que adianta conhecer o código, se não entende o texto?
Autor: Luiz Henrique Gurgel
Quando escolhemos o gênero como unidade de ensino, o que podemos ensinar aos alunos?

Joaquim Dolz – É preciso clarear os currículos. Os gêneros, quando entram na escola, trazem elementos das práticas sociais de referência, mas tornam-se objetos para aprender e escrever. É fundamental definir as capacidades linguísticas discursivas que se pretende desenvolver com os gêneros. Sou partidário de trazer para a sala de aula a diversidade e até trabalhar com gêneros considerados pouco elegantes, mas sempre com olhos postos sobre o desenrolar da linguagem e da língua portuguesa. Antigamente tínhamos um livro com cartas de correspondência e copiávamos as cartas. Era dessa forma que se ensinava. Hoje, se você tem uma visão interacionista, um conhecimento mais consistente do gênero, pode trabalhar melhor a partir da troca de correspondência, por exemplo. Se você escreve uma carta-convite e recebe as respostas dos convidados, ou se você escreve uma carta de opinião em resposta a um editorial de jornal, o uso da escrita é outra coisa. Para trabalhar dessa maneira o professor precisa ter formação, conhecer as convenções e as características dos gêneros e subgêneros da correspondência, todo tipo de variações e formulações em português, desde que fiquem claras quais são as prioridades. Não vou dizer quais sequências didáticas devem ser desenvolvidas, mas já vi atividades que eram animações socioculturais para divertir e animar a classe. É preciso ter cuidado porque uma das possíveis derivações do trabalho de sequências didáticas com os gêneros é fazer uma pedagogia superficial: apresentar situações de comunicação sem focalizar as capacidades linguísticas, linguístico-discursivas e as necessidades dos alunos, que precisam aprender a escrever em português textos importantes para a vida.
Os professores sabem quais os gêneros que a escola deve trabalhar?
Joaquim Dolz – No Brasil o período que os alunos passam na escola é curto, por isso precisa ser bem aproveitado. Não podemos perder tempo com textos que os alunos aprendem sozinhos – oralmente ou na escrita, como o diálogo escrito numa sala de bate-papos na internet, por exemplo. Agora, se vamos fazer um projeto de troca de correspondência entre argentinos, espanhóis, portugueses e brasileiros por e-mail, é outra coisa. Inspira os alunos a escrever: aprender a se apresentar numa carta enviada por e-mail; apresentar o bairro, a cidade, o país em que vive. Escrever primeiro na própria língua – português para os brasileiros; espanhol para os argentinos e espanhóis. E, numa segunda fase, escrever uma parte da carta na língua do outro. Essa é uma forma de introduzir o gênero e-mail na escola a partir de finalidades educativas específicas, e pensando numa progressão. O trabalho deve permitir o desenvolvimento das capacidades discursivas com uma visão geral do desenvolvimento da linguagem, caso contrário você está limitando a teoria dos gêneros textuais.
O senhor visitou uma escola pública brasileira. Qual foi sua impressão?
Joaquim Dolz – Visitei apenas uma escola. É ainda uma representação provavelmente ingênua e incompleta, mas gostei muito. O que mais me impressionou foi a direção, a organização da escola e sua relação com a comunidade. Situada num território muito difícil, do ponto de vista sociológico – havia pais de alunos na prisão, mães que vendiam drogas, diferentes gangues –, a escola estava no meio. Dentro da escola todos os meninos estavam protegidos, eram iguais. Valia a lei da escola, e não a da selva. A comunidade tinha um respeito muito grande pelos professores e particularmente pela diretora. Não conheço suficientemente os estabelecimentos escolares, o professorado, os alunos, a realidade brasileira, mas vejo duas realidades no país: uma, mais desenvolvida, como a Europa, e outra, como próxima dos países pobres em vias de desenvolvimento. Podemos encontrar meninos que aprendem inglês ou francês com professores particulares ou em centros escolares de grande qualidade, tendo um suporte muito grande da família e da sociedade, e ver meninos na rua, que não vão à escola, com problemas de letramento importantes. As duas realidades são encontradas no Brasil.
E o trabalho do professor?
Joaquim Dolz – Para ter boas condições de trabalho, por cada três ou quatro horas de presença com os alunos, você necessita de uma ou duas horas de planejamento. Preocupa-me um pouco o cansaço dos professores porque trabalhar com muitos meninos na classe e muitas horas deve ser duro. E, se você tem 35 alunos, treze ou catorze horas a cada dia, é muito difícil preparar antes, está sempre improvisando. É verdade que um professor com muita experiência não precisa planejar as aulas no mesmo nível, mas se tem 35 alunos com problemas muito diferentes – de expressão e adaptação – precisa de tempo. A avaliação das capacidades e dos obstáculos dos alunos e a preparação de projetos de letramento motivadores são muito importantes e não podem ser improvisados. Ao propor inovações da prática habitual, o professor pode sentir-se inseguro, necessitando de tempo para se apropriar das novidades e para se coordenar com a equipe docente. A formação do professor precisa ser reconhecida como tempo de trabalho. Digo isso por um respeito enorme, uma verdadeira admiração pelo trabalho dos professores.
É verdade que o senhor ficou impressionado com o barulho na escola? Faz parte do papel do professor ensinar o aluno a ouvir e trabalhar em silêncio?
Joaquim Dolz – É verdade. O nível de barulho era bastante elevado e chamou a atenção. Isso não é uma crítica, foi uma constatação ao visitar uma escola. Por um lado, o barulho era movimento, fruto do entusiasmo dos meninos pela aula, pois todos queriam responder as questões ao mesmo tempo. Mas o trabalho escolar exige condições, tranquilidade. Suponho que o controle do volume, a escuta, os rituais de respeito à palavra do outro são aprendizagens de linguagem. Se todo mundo fala ao mesmo tempo é impossível ensinar e aprender.
Como vê a sequência didática de leitura?
Joaquim Dolz – As entradas para o aprendizado podem ser diversas e o conceito de sequência didática pode aplicar-se à leitura, mas não é a única possibilidade de trabalho. No caso da sequência sobre a leitura, é essencial a análise dos obstáculos para a compreensão dos alunos. É obrigação da escola ensinar a ler e escrever, habilidades indispensáveis ao cidadão. A produção de textos convoca sempre à leitura, de uma maneira ou de outra, porque quando você escreve, você lê, mas as finalidades são diferentes, o tipo de trabalho também. A novela policial é um gênero interessantíssimo para a leitura. Você pode desenvolver várias estratégias quando trabalha a leitura continuada de uma novela policial. O escritor, quando escreve a novela policial, situa-se em uma posição enunciativa particular, pois tem que enganar o leitor. É preciso uma leitura atenta de indícios para levantar hipóteses e resolver o enigma. Se você lê as cinco primeiras páginas e descobre quem é o culpado, perde o interesse. Do ponto de vista narrativo, é uma ruptura cultural porque o crime, o resultado, aparece sempre no começo e o leitor, etapa por etapa, tem que reconstruir como aconteceu o crime. Do ponto de vista linguístico, sabemos quais são – para alguns – as dificuldades para compreender a leitura desse gênero: compreender as informações, identificar os indícios, interpretar algumas unidades linguísticas. Podemos desenvolver interpretação, criação de hipóteses, operações de relação, pois essas informações estão evidentes no texto. Já pela perspectiva da escrita o foco do trabalho é a estrutura narrativa, são os personagens e os aspectos associados ao gênero, de maneira geral.
E a sequência didática em outras disciplinas?
Joaquim Dolz – Nem sempre a seqüência didática sobre a língua pode ser utilizada diretamente em outras disciplinas. Você pode organizar uma sequência didática em matemática para trabalhar a resolução de problemas envolvendo leitura e compreensão de texto. Em matemática é importante a compreensão das consignas, da explicação, da demonstração de um problema. São gêneros; a demonstração é um gênero, uma consigna um gênero descritivo. O trabalho com os professores de matemática deveria permitir aprender a formular e compreender as consignas do ponto de vista linguístico, para que os problemas possam ser resolvidos corretamente. Isso é um problema de colaboração entre os professores de matemática e os professores de línguas. A disciplinarização dos saberes foi um progresso, primeiro para a ciência e depois para a escola. Há saberes de biologia, saberes de história, saberes linguísticos, e o currículo deve ter uma visão dos saberes que ensina. A interdisciplinaridade pode ser muito interessante, mas é fundamental ter muito claro os objetivos da história, da biologia, da língua. Quando você desenvolve uma sequência em matemática, biologia ou história, também trabalha a língua e o gênero como ferramentas. É importante que os professores de outras disciplinas saibam que os problemas de compreensão e de produção de textos estejam ligados às habilidades provenientes da língua portuguesa.
A Olimpíada de Língua Portuguesa pode ser um caminho para melhorar a formação dos professores?
Joaquim Dolz – Tenho informação de que a Olimpíada é muito bem recebida pelos professores e pelos alunos e o entusiasmo pelo concurso é grande. Se compreendi bem, a proposta tem fundamentalmente três objetivos. Primeiro, possibilita a divulgação de materiais didáticos – ferramentas fundamentais para professores de todo o país. Em segundo lugar, é voltada para os alunos, permitindo o desenvolvimento da escrita de gêneros textuais (poemas, memórias literárias, crônicas e artigos de opinião). E, em terceiro, forma os professores para melhorar o ensino da escrita. Minha visão do projeto é muito positiva: a maneira de envolver as escolas, a proposta de um trabalho coletivo com os professores e a ideia de levar aos diferentes centros escolares uma cultura comum sobre o ensino da escrita, isso me agrada muito.
Temos o desafio de contribuir para a formação a distância dos quase 200 mil professores engajados na Olimpíada por meio de materiais de apoio. Como aprimorar os materiais de formação?
Joaquim Dolz – Vivo a mesma situação. Cada vez que escrevo para professores, me pergunto qual é a melhor maneira de dizer e como vai ser recebido. É preciso fazer um trabalho para melhorar a escrita, ouvir os especialistas que analisam a linguagem dos professores e dos formadores, verificando qual é a forma mais adequada de escrever. Porque eu, quando sou professor, tenho dificuldade para ver a minha atividade, mas se o pesquisador analisa minha prática, posso tomar distância e enxergá-la de maneira crítica, tomar consciência dos entraves.
Em recentes palestras e cursos, o senhor falou sobre validação didática. Explique-nos o que é e como se dá a validação didática. Joaquim Dolz – Primeiro, a validação didática pretende analisar o progresso, o aprendizado dos alunos. Depois de uma seqüência didática é necessário verificar o quanto o menino progrediu na escrita. Segundo, é importante verificar a legitimidade e a coerência dos objetos de ensino do ponto de vista da transposição didática. As características do gênero escolhido são pertinentes para o ensino da leitura ou da escrita? A didatização é adequada em função do grupo de alunos? Terceiro, a validação didática examina também as possibilidades de os professores implementarem as atividades propostas nas suas condições de trabalho. A validação das ferramentas de trabalho que elaboramos tem que encontrar um equilíbrio para esses três aspectos. Se a maneira de trabalhar a leitura ou a escrita não é coerente, pode-se alfabetizar um aluno sem que ele seja capaz de compreender o que está lendo – isso porque, neste caso, o objeto do ensino da leitura está limitado ao código e não à compreensão do texto. Se, depois de quatro ou cinco anos de trabalho, 125 alunos dos 700 matriculados numa escola não aprenderam a ler, isso é um indicador problemático da proposta de letramento. A primeira coisa a fazer, então, é o diagnóstico da situação das escolas, a análise das necessidades dos meninos e professores. Podemos identificar as capacidades iniciais dos alunos para, então, adaptar o trabalho às suas reais necessidades. Em seguida, definir os objetos prioritários para desenvolver a escrita, a leitura, a oralidade, a tomada de palavra para defender-se na vida – um projeto para dignificar a cidadania brasileira.
Em recentes palestras e cursos, o senhor falou sobre validação didática. Explique-nos o que é e como se dá a validação didática. Joaquim Dolz – Primeiro, a validação didática pretende analisar o progresso, o aprendizado dos alunos. Depois de uma seqüência didática é necessário verificar o quanto o menino progrediu na escrita. Segundo, é importante verificar a legitimidade e a coerência dos objetos de ensino do ponto de vista da transposição didática. As características do gênero escolhido são pertinentes para o ensino da leitura ou da escrita? A didatização é adequada em função do grupo de alunos? Terceiro, a validação didática examina também as possibilidades de os professores implementarem as atividades propostas nas suas condições de trabalho. A validação das ferramentas de trabalho que elaboramos tem que encontrar um equilíbrio para esses três aspectos. Se a maneira de trabalhar a leitura ou a escrita não é coerente, pode-se alfabetizar um aluno sem que ele seja capaz de compreender o que está lendo – isso porque, neste caso, o objeto do ensino da leitura está limitado ao código e não à compreensão do texto. Se, depois de quatro ou cinco anos de trabalho, 125 alunos dos 700 matriculados numa escola não aprenderam a ler, isso é um indicador problemático da proposta de letramento. A primeira coisa a fazer, então, é o diagnóstico da situação das escolas, a análise das necessidades dos meninos e professores. Podemos identificar as capacidades iniciais dos alunos para, então, adaptar o trabalho às suas reais necessidades. Em seguida, definir os objetos prioritários para desenvolver a escrita, a leitura, a oralidade, a tomada de palavra para defender-se na vida – um projeto para dignificar a cidadania brasileira.
Atualmente, qual o foco de suas pesquisas?
Joaquim Dolz – Sou um pesquisador um pouco disperso, atuando em várias frentes, algumas pouco conhecidas na Suíça. Neste momento estou com um projeto sobre o ensino bilíngue no País Basco, na Espanha, onde há uma língua que se chama euskera, que é muito diferente do espanhol. Vamos estudar o efeito do ensino de sequência didática para alunos bilíngues em espanhol e em euskera, um projeto que ganhou prêmio de pesquisa. O segundo projeto, muito simples, mas que é um prazer para mim, aborda a utilização de seqüências didáticas com alunos que têm dificuldades de aprendizagem. O terceiro projeto é sobre práticas de formação dos professores na escrita, vou analisar as práticas das diferentes instituições da Suíça francesa: como os professores ensinam a escrita e como os estudantes, futuros professores, realizam as práticas da escrita no curso de sua formação. E a quarta pesquisa, que estou terminando com Bernard Schneuwly, é sobre o estudo dos objetos ensinados nas práticas de aula. São quatro frentes e muito trabalho.
Fale de sua pesquisa sobre o gesto cotidiano do professor na sala de aula. Joaquim Dolz – Essa pesquisa, em colaboração com o professor Bernard Schneuwly, foi realizada com professores do secundário para saber como eles ensinam a gramática. Escolhemos unicamente uma estrutura gramatical, a subordinada relativa e o texto de opinião. Uma de nossas preocupações era identificar os gestos profissionais dos professores quando ensinam o discurso com a gramática. Começamos a entrar nas classes para observar o trabalho que realizam cotidianamente. Alguns gestos são de regulação das interações, trocas com os alunos. Outros são para identificar as dificuldades deles. Outros ainda são gestos para conseguir memorizar, colocar o novo em relação ao antigo, ao trabalho que fizeram no passado. Poderíamos falar também de outros gestos para compreender melhor a atividade docente. Este é um tema novo de pesquisa. No Brasil, Anna Rachel Machado e outros autores também analisam a atividade do professor, observando algumas das suas características. Ainda é cedo para avaliar nossas observações sobre a formação. Os estudiosos de ergonomia trabalham muito comparando práticas e atividades de diferentes professores. Existem pesquisas sobre a formação geral, mas sobre a leitura ou a escrita as pesquisas ainda são emergentes.
Qual o seu contato com os pesquisadores brasileiros?
Joaquim Dolz – Há um tempo fui convidado para dar um curso na PUC-SP e assim fiz meu primeiro contato com as duas pioneiras – Roxane Rojo e Anna Rachel Machado – e com a realidade brasileira. Depois comecei a descobrir outros trabalhos muito diversos graças à presença de muitos pós-doutorados e doutorados que trabalhavam conosco em Genebra. Isso permitiu conhecer – parcialmente – a realidade educativa do Brasil. Também criei uma relação com as professoras Elvira Lopes Nascimento e Vera Cristovão, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná. Tenho um interesse muito grande pelo país emergente e de potencialidades.
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